O mercado financeiro virou a chave para os dados de emprego nos Estados Unidos. Depois de o relatório JOLTS mostrar ontem que a demanda por mão de obra no país está diminuindo, hoje é a vez da pesquisa ADP sobre a variação de postos de trabalho no setor privado norte-americano. Ainda tem o payroll, amanhã.
Mas será que esses dados podem mudar o curso do Federal Reserve após o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole? Os investidores estão convencidos de que mesmo uma recuperação aparente no mercado de trabalho dos EUA em agosto, após os números fracos em julho, não será suficiente para dissuadir um corte dos juros em setembro.
Foi essa expectativa que renovou a fraqueza do dólar na sessão local da véspera. A moeda fechou cotada a R$ 5,45. O movimento ocorreu apesar da terceira queda consecutiva do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira ainda não subiu neste mês, acumulando queda de 1,1% no período.
É mais que o Fed
Apesar do cenário político agitado no Brasil, os ativos locais estão mais atentos ao cenário externo. Isso porque um corte do Fed nos juros ainda neste mês pode abrir espaço para o Banco Central iniciar o ciclo de cortes da taxa Selic ainda neste ano – talvez em dezembro. Se confirmado esse cenário, melhora a perspectiva para as ações e a moeda brasileira.
Ou seja, o samba que dá ritmo aos mercados tem apenas uma nota. Seja no Brasil, seja nos EUA. Mas em tempos de guerra comercial, as taxas de juros não devem ser vistas apenas como instrumento de política monetária. Daí porque, talvez, o dado mais importante do dia sejam os números da balança comercial brasileira e americana.
Enquanto o último refere-se ao mês de julho – portanto antes do tarifaço do presidente Donald Trump entrar em vigor – os dados domésticos já podem trazer os primeiros efeitos da taxação da Casa Branca contra os produtos brasileiros. Esses indicadores irão mostrar que a questão para os mercados é, cada vez mais, de Economia Política mundial.