Casa quitada é dinheiro na mão? Sim, mas há um perigoso lado B do Home Equity no Brasil

O Home Equity, também conhecido no país como CGI (Crédito com Garantia de Imóvel), é uma das modalidades de crédito que mais têm crescido no Brasil. Nele, o tomador é agraciado com o montante financeiro oferecendo seu imóvel como garantia. Trata-se de uma prática comum em economias desenvolvidas, como a dos Estados Unidos, onde trilhões de dólares são movimentados anualmente e pelo fato de ser vista como uma ferramenta consolidada de alavancagem financeira.

Por aqui, a modalidade começou a ganhar espaço a partir de 2006, quando o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou instituições financeiras a oferecer financiamentos com garantia de hipoteca ou alienação fiduciária. Para aterrissar em solo brasileiro, a proposta foi “tropicalizada” visando à adaptação à realidade local, porém manteve o mesmo princípio básico de transformar o patrimônio imobiliário em capital líquido.

Os resultados, desde então, são surpreendentes. Segundo dados da Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), entre 2019 e 2023 a carteira de CGI cresceu mais de 80% no país, saltando de R$ 10 bilhões para R$ 18,8 bilhões. Um avanço expressivo que sinaliza bem o interesse crescente da população por essa modalidade de crédito.

Aliás, é justamente aí que mora uma questão perigosa sobre o CGI. Poucos percebem que a realidade brasileira é bem diferente daquela que sustenta o sucesso do Home Equity no exterior. Enquanto lá fora as taxas de juros mais baixas e a estabilidade econômica tornam o modelo previsível e seguro, aqui o contexto apresenta justamente o inverso, já que temos juros altos, renda instável, inflação fora da meta e economia volátil.

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